terça-feira, 6 de dezembro de 2011

[Coluna] A Palavra da Lagarta #5 - O tal do infanto-juvenil

Quem nunca se revoltou ao encontrar livros como Harry Potter ou Crepúsculo ao lado de livros como Querido Diário Otário em alguma livraria por esse Brasil afora?
A justificativa usada é que eles são classificados pelas respectivas editoras como Infanto-Juvenil e ai é que vem o problema. 
Infanto juvenil é uma classificação usada pro ramo da literatura direcionada a crianças e jovens adolescentes. Numa primeira olhada nisso poderíamos até pensar que a cena descrita acima não tem nada de errado. Mas algum adolescente ai leria Querido Diário Otário e acharia bom, levando em conta que adolescente tem mais do que 10 anos? Eu tenho minhas sérias dúvidas.
Pra quem não conhece, Querido Diário Otário é um livro daqueles com letras tamanho 24 e muitas (MUITAS) figuras. Não estou dizendo que é um livro ruim, veja bem, estou dizendo que isso é livro pra uma criança e não mais para um adolescente.
Harry Potter (e ai entra Crônicas de Nárnia, a série do Percy Jackson e os Olimpianos, Artemis fowl e afins) é destinado pra adolescentes e crianças de no mínimo 10 anos.
Tem exceções? É claro! Eu mesma, tenho um irmão de 8 anos que está lendo Artemis Fowl e está adorando, mas a probabilidade de um livro infanto ser lido por um adolescente é muito menor do que um livro juvenil ser lido por uma criança, desde que ela tenha capacidade de entender o vocabulário e a escassez ou a completa falta de gravuras.
O fato é que você pega livros como esses e a comparação deles e classificação em um mesmo ramo chega a ser esdrúxulo. É como colocar uma lata de ervilha e uma lata de achocolatado na mesma prateleira no supermercado. Não faz nenhum sentido.
Os dois são comidas? São. Porém não tem nada haver.
Esses dias vi Crepúsculo (que eu nem gosto) dividindo a prateleira com Zac Power, uma série sobre um espião muito gracinha que dei pro meu irmão quando ele tinha 5 anos de idade, ele adorou e ainda gosta muito, mas isso porque ele é uma criança. Você daria Crepúsculo pra ele? Eu apoto que não, não é mesmo?
Acredito que o erro não esteja em colocar livros como Harry Potter em infanto juvenil, eles são pra crianças mesmo, pra crianças e adolescentes (e quem mais quiser ler, porque HP é bom demais), ao que tudo indica o erro ocorre na distorção do termo no Brasil, nos Estados Unidos, é usado com mais prudência.
Uma provável solução, seria a divisão dos termos e eu acredito que usar Literatura Juvenil para de 10 a 15 anos e o termo Literatura Infantil para livros destinado ao público menor do que 10 anos (público que lê Judy Moody e Zac Power, séries que eu acho muito legais pra uma criança começar a gostar de ler) é muito mais adequado.
Na verdade, toda a discussão gira em torno do preconceito que essas classificações podem trazer e assim afastar possíveis leitores, porque no fundo o que importa é a leitura sem rótulos, mas já que é pra rotular, vamos fazer isso com critérios mais claros.

3 comentários:

  1. oooooi!
    sabe, concordo muito com você quanto a isso... Nem que fizessem uma sub-divisão de idades pro infanto-juvenil... Porque acho um absurdo algumas séries do lado dessas coisas que são mais voltadas pra crianças :/ Tem nada a ver! Não que seja ruim como voc falou, mas realmente são coisas que não se encaixam pra estar na mesma categoria ><

    Beijos, Nanda!
    Julguepelacapa.blogspot.com

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  2. Post interessante. Nunca li Querido Diário Otário, mas pelo o que vi em resenha é realmente um livro mais volta par ao publico infantil e Crepúsculo, por exemplo, não se encaixa bem nessa faixa etária. Pois é, é meio esquisito usar o termo para os dois :/
    Muito interessante mesmo esse post :D
    BJ!

    -Amigas Entre Livros-

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  3. A melhor forma de resolver esse problema de rotulação de livros seria criar subgeneros dentro de cada genero, especificando melhor para que tipo de leitor o livro é focado.

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