quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

[Resenha] Um Homem de Sorte - Nicholas Sparks


Um homem de sorte
Nicholas Sparks
Editora: Novo Conceito
Gênero: Romance
Páginas: 352
“Mas não estava em outra época e lugar, e nada daquilo era normal. Trazia a fotografia dela consigo há mais de cinco anos. Atravessou o país por ela.”“Era estranho pensar nas reviravoltas que a vida de um homem pode dar.Até um ano atrás, Thibault teria pulado de alegria diante da oportunidade de passar um fim de semana ao lado de Amy e suas amigas. Provavelmente, era exatamente isso de que precisava, mas quando elas o deixaram na entrada da cidade de Hampton, com o calor da tarde de agosto em seu ápice, ele acenou para elas, sentindo-se estranhamente aliviado. Colocar uma carapuça de normalidade havia-o deixado exausto.Depois de sair do Colorado, há cinco meses, ele não havia passado mais do que algumas horas sozinho com alguém por livre e espontânea vontade.(...)Imaginava ter caminhado mais de 30 quilômetros por dia, embora não tivesse feito um registro formal do tempo e das distâncias percorridas. Esse não era o objetivo da viagem. Imaginava que algumas pessoas acreditavam que ele viajava para esquecer as lembranças do mundo que havia deixado para trás, o que dava à viagem uma conotação poética. Outros pensavam que ele caminhava simplesmente pelo prazer de caminhar.Estavam todos errados. Ele gostava de caminhar e tinha um destino para chegar.”

Nunca estive muito interessada em ler Nicholas Sparks. Acho que é porque este não é meu estilo de literatura, ou talvez por falta de indicação. Não sei bem. Porém, eis que quando fui para Ribeirão Preto participar do Clube do Livro organizado pelas fofíssimas Priscila Braga e Giu Fernandes, acabei ganhando o kit do livro. Como que se resiste a um livro lindinho, guardado em um estojo bem legal apenas esperando para ser lido? Não resiste. Você simplesmente pega e lê.

Bom, falar do meu parecer em relação a esse livro é um pouco complicado. Primeiro porque eu nutro uma relação de amor e ódio por livros do tipo romântico. Depende do dia, do meu humor, da lua, de várias coisas. Às vezes eu acho um livro super meloso lindo de morrer, outras, acho chato e repetitivo. Nunca da pra saber. Só lendo mesmo. Segundo, porque as poucas vezes que me falaram de Nicholas Sparks, foi para dizer que os livros dele são feitos para massas, para vender. Ou seja, uma receita de bolo usada para esse propósito. Olha, eu parei pra pensar direitinho nesse assunto – nota mental para incluir o pensamento em um literando -, e estou bem certa de que “ser receita de bolo” é um argumento muito fraco para definir um livro. Quero dizer, hoje em dia, onde essa demanda realmente absurda de histórias é atirada nos leitores como cascata, é muito difícil um autor ser 100% original. Aliás, posso até dizer que hoje o mais interessante é o “como acontece” e não “o que acontece”. A essência da história pode ser a mesma, mas seu desenrolar é o que segura um leitor até as últimas páginas. Logo, um livro ser “comum” ou ser a famosa “receita de bolo” não é o bastante para que ele seja avaliado como péssimo.

Um homem de sorte conta a história de um fuzileiro que encontra uma foto durante sua estadia no Iraque. Nessa foto, uma bela mulher está usando uma blusa com os escritos: “garota de sorte”. Apesar de seu ceticismo, é visível a onda de sorte que toma conta dele desde então. Há lutas, bombardeios, acidentes, e de todas essas fatalidades, onde vários de seus amigos perdem a vida, ele sai ileso. Não podia ser simplesmente coincidência e, convencido por seu amigo Victor de que ele devia algo à garota da foto, por ela ter protegido ele tantas vezes, Logan decide cruzar todo o país a pé, em busca da misteriosa mulher. Porém, sem saber seu nome, seu endereço, sua rotina, ou qualquer outra coisa em relação a ela, Logan precisa – desculpem-me o trocadilho - de toda a sorte do mundo para conseguir o seu objetivo.

Uma coisa eu tenho que concordar com relação ao Nicholas Sparks, é que sua narrativa é simplesmente deliciosa. Uma vez que você começa a ler o livro, parar se torna uma atividade realmente difícil. Sua escrita é fluida, gostosa e sem nada muito rebuscado. É o tipo de livro que você consegue ler em apenas uma madrugada – no meu caso. A história em si é, de fato, muito comum: Algo leva um homem a se apaixonar por uma mulher, há alguns empecilhos e então tudo se resolve e a história acaba. Admito, porém, que gostei bastante da forma como ele desenvolve o livro, a forma como nada do que ele escreve cansa o leitor ou deixa a história chata.

Os personagens, em alguns momentos, me entediam, talvez por serem perfeitinhos demais, ou por terem reações esperadas. Com exceção, devo frisar, do Clayton, que foi o personagem que mais me cativou nesse livro – por incrível que pareça. Não por ele ter algo de nobre em sua personalidade, acredite, não tem. Mas por ele ser tão fortemente humano. Ele tem defeitos marcantes, é egoísta, vingativo, e muito canalha. Mas essa é a personalidade dele, o que o torna próximo de qualquer humano. Não é perfeito e, ainda assim, toma uma atitude que me fez arrepiar ao ler o livro (só lendo para saber!). E talvez tenha sido apenas esse personagem que fez a diferença na história. Ops, não posso me esquecer da fofa Nana, que tornou as conversas do livro interessantíssimas.

Bom, resumindo, Um homem de sorte é um livro bom. Não é excelente, mas é bom. O tipo de romance que você lê no aeroporto, ou quando esta esperando na fila de algum lugar. É uma leitura rápida e agradável que recomendo para qualquer pessoa que goste de romance em geral, ou até mesmo alguém que quer fugir um pouco da modinha do sobrenatural.

Trechos:
"Os amigos vão e vêm, as malas são feitas e desfeitas, a casa possui apenas o estritamente necessário e, assim, não há muito que fique de significativo."
"Coloque duas pessoas diferentes, com expectativas diferentes, debaixo do mesmo teto e nem sempre haverá feijoada na Páscoa.
"Conseguia se lembrar das razões por ter optado pelo casamento: ser jovem e estúpida eram as principais."
"- Talvez vocês sejam feitos um para o outro.
- Não estou apaixonado por ela, Victor.
- Não?
- Não.
- E, mesmo assim, pensa nela com freqüência. - observou Victor."
"- Porque é a você que ela protege. E quando sai do Humvee, acreditei que também ia me proteger, da mesma forma que você sempre acreditou que te protege.
- Não acredito.
- Então, meu amigo, por que ela está sempre com você?"

Avaliação

Capa: 
Acab. do livro: 
História: 
Andamento:     
Desfecho: 

Avaliação Geral:

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