segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

[Resenha] O Céu Está em Todo Lugar - Jandy Nelson


O Céu Está em Todo Lugar
Jandy Nelson
Editora: Novo Conceito
Gênero: Ficção, Romance
Páginas: 424
"Lennie Walker, obcecada por livros e música, tocava clarinete e vivia de forma segura e feliz, à sombra de sua brilhante irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre de forma abrupta, Lennie é lançada ao centro de sua própria vida, e, apesar de não ter nenhum histórico com rapazes, ela se vê, subitamente, lutando para encontrar o equilíbrio entre dois – um deles a tira da tristeza, o outro a consola."
Eu gostaria de fazer algumas ressalvas antes de começar a resenha de fato. Eu estava obcecada por esse livro há meses. Li a resenha e ao saber que Lennie era uma obcecada por livros, em Cathy e Heathcliff (O Morro dos Ventos Uivantes) e clarinetista eu quase flutuei. Eu já toquei clarinete durante alguns anos e só não o faço mais, porque não tenho o instrumento,  e por causa disso eu pensava que eu me veria muito nesse livro. Então, lembre-se, eu tinha a maior das expectativas, e já tinha lido muitas resenhas falando o quanto esse livro era sensível sem ser dramático, um amor sublime. Portanto eu esperava nada menos que isso. 
E então o meu fofo namorado me deu o livro, com uma linda dedicatória... Não comecei a ler imediatamente, e nesse tempo quanto mais eu lia sobre ele ou namorava o booktrailer, mais eu subia na estratosfera imaginária que todo bookaholic tem quando espera um livro demais.
Eu despenquei dele pior que um foguete. 
Deixe-me explicar. Lennie é uma menina comum que tem uma irmã mais velha brilhante, que ela ama muito e de quem é muito, muito próxima. Mora também com a avó e o tio, já que sua mãe sumiu no mundo quando ela era muito pequena. LennieBailey crescem esperando a mãe voltar e se indagando porque ela foi embora de verdade, pois nunca ouviram muito sobre ela. A história começa com a morte de Bailey e com uma Lennie arrasada e sua família idem. Eu tenho irmãos e não me imagino sem eles, mas o drama de Lennie é qualquer coisa de anormal. 
Então ela se aproxima de Toby o (ex-)namorado de Bailey e só nele ela consegue achar alguém que compreenda sua dor. Ela conhece também Joe, um trompetista, aluno novo na escola. Ele morava na França e volta à California com a família, e entra na vida de Lennie como se fosse um sol pra iluminar toda aquela tristeza. E é sem dúvida, o meu personagem preferido! Ele é quem dá sentido ao livro, em minha sincera opinião.
Então, ela tem que lidar com a morte da irmã e a paixão por duas pessoas, uma delas o namorado da irmã, a coisa mais óbvia a se fazer... Só que não!
As primeiras 200 páginas são torturantes! Ela beija o namorado da irmã e morre de culpa, se aproxima de Joe, mas 80% do tempo é ela reclamando como o mundo tem a audácia de continuar porque a irmã morreu... "What?!"
Ela não vê mais nada de bom no mundo sem a irmã e não se conforma com o fato de que Bailey tinha um futuro brilhante pela frente e não o terá mais. Ok. Justo. Mas fazer isso a metade de um livro de mais de 400 páginas e de uma forma excessivamente repetitiva foi quase uma tortura. Não foram poucas as vezes que eu quis abandonar o livro ou que eu parava pra falar "Oh, kill yourself Lennie!". 
Os poemas que se diz que Lennie escreve são patéticos e soam fake, forçado... Além de algumas coisas escritas que culminam no que posso chamar de "poeta de butequim". Você não consegue evitar o seguinte pensamento: "Sério Jandy? Sério que você acha que isso ia ser uma passagem legal, profunda e impactante?"

"[...] o que quero é engolir, engolir e engolir para dentro do meu corpo, este corpo meu que vive, respira e tem um coração que bate."
 (No meio do texto soa até pior... )

E por tudo isso no meio da leitura, coisa que eu não costumo fazer eu peguei outro livro pra ler. Eu tinha lido tanta opinião boa que não era possível que eu estava achando tão, mas tão ruim. Comecei a achar que o problema era comigo e fui ler algo que tinha algo que tinha essas características que eu queria... Um romance sensível, com passagens inteligentes e filosofia e poesia em meio a prosa (eu li A Valsa dos Adeuses do Milan Kundera)
Quando retornei a leitura de O Céu Está em Todo Lugar, eu voltei satisfeita com a leitura que tinha acabado de fazer, com mais paciência, com menos expectativas.
E eu voltei bem quando Joe começa a ter papel crucial na trama deste livro. Lennie continuar a mesma chata, mas Joe faz tudo valer a pena. Ele é intenso, profundo e duas das poucas frases impactantes que valem a pena do livro foi ele quem proferiu.
A narração de Jandy é bastante confusa. Feita em primeira pessoa mas meio no presente, meio no passado tem um andamento estranho embora a leitura seja rápida. 
Achei que o livro foi escrito com as aspirações de ser um romance sensível, mas Jandy falhou. O Céu Está em Todo Lugar é mais um livro de romance de adolescentes como muitos por ai, que eu já li vários melhores, com dilemas melhores, com protagonistas melhores... Lennie é uma personagem inexpressiva (a não ser a constante dor), uma mistura esquisita em Bella Swan e Mia Thermopolis, sem o humor da Meg Cabot e permeado por uma atmosfera hippie. Eu gosto de personagens fortes, que tem defeitos e não tentam ficar escondendo, elas são o que são, como a Suzannah de A Mediadora.
A avó e tio Big, são legais, mas nada que dispense comentários complementares que sejam demasiado extensos. Eles, a melhor amiga de Lennie, Sarah e a rival dela, Rachel, são igualmente forçados em suas personalidade (ás vezes até um pouco cretinos pra falar a verdade).
Pra sintetizar o livro inteiro me soou como uma grande forçação de "wanna be cult, romantic and mature" que foi direto pro brejo. Não convence.
A edição é maravilhosa! É sério, o livro é fisicamente lindo, os poemas que aparecem no meio, são feitos de uma forma muito bonita, a fonte e a escolha de azul para a cor dela, deu um ar graciosíssimo a leitura.
Uma coisa legal de falar, o livro tem muitos capítulos, alguns são longos, outros curtíssimos, e isso foi diferente e legal.
Há muitas resenhas positivas desse livro, infelizmente eu não tive essa sorte com ele e realmente não gostei, mas no geral ele é mediano. Eu estava esperando outra coisa e talvez por isso tenha me decepcionado tanto. Se você ler o livro e tiver uma sorte melhor que a minha, venha me contar. Eu realmente gostaria de ter tido uma experiência melhor.


Avaliação:
Capa: 
Acabamento do livro:
História: 
Andamento: 

Desfecho: 

Avaliação Geral:


     

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