sábado, 14 de janeiro de 2012

[Resenha] O Voo de Icarus - Estevan Lutz

    O Voo de Icarus
    Estevan Lutz
    Editora: Novo Século
    Gênero: Ficção Cientifica
    Paginas: 240

    “Num futuro próximo, na cidade marítima de Agartha, a vida do jovem Icarus oscila entre dois vícios: a realidade virtual e uma droga alucinógena denominada nirvana. Em busca de tratamento médico, ele acaba se tornando voluntário para a experimentação de um avançado medicamento baseado na nanotecnologia, o Sinaptek, o qual, posteriormente, lhe causa uma extraordinária reação adversa: a projeção de sua consciência, o que lhe permite viajar por diversos lugares do planeta e para outros mundos, empreendendo uma jornada do centro do universo ao centro da inconsciência humana. Estaria tudo, apenas, na mente de Icarus?”

Fazia algum tampo que eu não lia uma obra de ficção cientifica, acho que a última antes de O Voo de Icarus foi o Hibridos, e isso deve fazer uns 2 anos já.

Ao ler a sinopse, a primeira coisa que pensei foi “Futuro não muito distante, problemas com drogas, mundo cibernético, acho que já vi isso no Neuromancer, e sim, o livro tem muita influencia de Willian Gibson e bastante de Asimov também, além de outros autores como Douglas Adams e Carl Segan.

A história do livro se passa na cidade de Agartha, uma cidade marinha que é o pólo tecnológico mundial no livro. Se você trabalha em Agartha significa que você conseguiu alcançar o topo na carreira tecnológica. (Curiosidade, Agartha é uma cidade mitológica, que estaria situada no centro da terra, e que muitos acreditam ser a mesma coisa que a cidade budista de Shambhala. Nessa cidade ficaria o real regente do mundo, que controla a vida de todos na superfície.)

Essa não é a única influencia budista no livro. Na verdade, o autor cita o budismo muitas vezes, e tenta explicar um pouco de suas teorias. Além do budismo, podemos ver alguma influência da mitologia grega, principalmente no nome dos personagens.

E é nessa cidade que mora o personagem principal de nossa história, o jovem Icarus. Ele é anti-social, extremamente sarcástico e tem problemas de atenção. Além disso, ele é viciado em realidade virtual, mais especificamente em games violentos, e em uma droga alucinógena chamada Nirvana. Ele é um personagem muito interessante, que tem um vicio muito comum hoje em dia (né galerinha viciada em PC), ele é meio soturno, e um personagem com bastante potencial, apesar de em alguns momentos ele ser meio chato. Infelizmente, ele não foi muito bem explorado.

Icarus tem uma amiga chamada Ceres, que é basicamente a única pessoa que ele mantém uma amizade de verdade. Ela é uma pessoa extremamente cética, que só acredita naquilo que pode ver, ouvir ou sentir. Ela e Icarus já tiveram um relacionamento, que por algum motivo deu errado, mas o autor não fala sobre esse assunto. Gostei muito dessa personagem, e achei que ela fosse ter mais importância na história.

A vida de Icarus muda quando essa sua amiga Ceres repara que Icarus esta se afastando cada vez mais da sociedade e seu vicio na realidade virtual esta começando a trazer efeitos colaterais mais sérios. Ela, então, o indica um psicólogo para ajudá-lo a superar seu vicio.

Esse médico indica um tratamento inovador, ainda em fase de testes, utilizando nanorobôs. Porem, esse tratamento tem um efeito colateral, a capacidade de projeção de consciência. Isso quer dizer que enquanto o corpo fica parado, a mente pode viajar para qualquer lugar que ele imaginar, qualquer lugar mesmo. Em uma dessas viagens, ele acaba conhecendo outra pessoa que tem esse mesmo “poder”. E é aí que se inicia a trama principal do livro, e, para descobrir o que acontece, vocês vão ter que ler.

Sinceramente, eu me decepcionei um pouco com o livro. O que se iniciou com uma critica interessante à nossa atual condição de distanciamento do real para nos aproximarmos do virtual e a dependência das novas tecnologias, acabou tomando um rumo excessivamente metafísico. O autor poderia ter explorado muito melhor as viagens de projeção de consciência. Porém, acabou se perdendo muito no interior da mente humana, perdendo assim seu foco principal e a possibilidade de criar um livro mais focado para o lado do suspense do que para o lado espiritual.

Resumindo, o livro tem uma boa historia, mas pecou, e muito, no andamento e no desfecho.
Os personagens poderiam ter sido mais bem trabalhados, principalmente a Ceres. Fiquei muito curioso com essa personagem e queria que ela tivesse participado mais da história.

Apesar de todos esses defeitos, e de sua capa meio feinha, o livro consegue sair da zona de conforto que vemos nos livros mais atuais, alem de ser um gênero difícil de encontrar em um bom livro. Além do mais, uma obra de ficção cientifica é sempre interessante.

Avaliação

Capa:
Acab. do livro:
História:
Andamento:
Desfecho:


Avaliação Geral:

Um comentário:

  1. Asimov é muito legal...
    E eu amo uma ficção Cientifica, esse ano já li 2 livros do gênero hehe
    Acho a cultura Budista muito interessante, a cultura Grega tbm é incrível... Amo.
    Interessante esse vicio dele hehe
    Acho que sofro um pouquinho disso XD
    Que pena que o seu foco mudou ao longo da estória, pois a critica realmente é interessante. A capa é feia mesmo :P
    Mas parece uma bela leitura...
    Bj!

    -Amigas Entre Livros-

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