quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

[Resenha] A Esperança - Suzanne Collins (Jogos Vorazes #3)


A Esperança
Suzanne Collins
Editora: Rocco
Gênero: Ficção
Páginas: 419

“Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução.A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo.O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra?”

Tive apenas o espaço de algumas semanas de estudo para a segunda fase do vestibular entre a leitura de “Em Chamas” e “A Esperança”. Aliás, mesmo enquanto estudava, minha cabeça estava totalmente focada no livro azul que estava no topo da minha pilha de próximas leituras. A minha necessidade de saber como terminaria a trágica história de Katniss era quase doentia. Eu precisava ler o último livro da série o quanto antes. Então, assim que as provas terminaram e eu me vi no conforto de meu quarto, peguei o livro para devorá-lo com a total atenção que ele merece.

Nesse último volume, somos apresentados à mesma tensão que tomou conta de seu antecessor. Logo no começo do livro já da para se perceber o clima tenso de rebelião, morte e miséria. Aliás, não apenas isso. Depois de todas as reviravoltas que enfeitaram o final de “Em Chamas”, Katniss está mais confusa do que nunca. Não confiaram nela, jogaram-na na arena sem conhecimento prévio do que aconteceria e, para piorar as coisas, mesmo tendo prometido o contrário, Haymitch escolhe salvá-la ao invés de Peeta. As coisas não podiam estar mais erradas. Como que ainda tiveram a ousadia de pedir a sua colaboração na rebelião que estava em curso? A Esperança é o livro mais pesado da trilogia. Em um ambiente de opressão, tensão, mentiras, contradições, guerras e morte, você se vê tragado em uma história quase fisicamente dolorida. A tensão que envolve a trama chega a ser palpável de tão forte.

Eu, sinceramente, achei a Katniss um saco no inicio do livro. Ela apenas reclamava, fugia e se recusava a fazer qualquer coisa que lhe pedissem. Ela perdeu completamente a determinação que teve em “Em Chamas”. Porém, depois de pensar um pouco mais no assunto, percebi que eu provavelmente faria a mesma coisa se estivesse no lugar dela. Quero dizer, a vida dela não estava nem um pouco fácil. Manter a sanidade mental era um grande desafio pelo qual tinha que passar basicamente sozinha. Não a culpo por ter ficado alheia e birrenta. Aliás, acho que Suzanne Collins soube tratar com maestria o psicológico de cada um dos seus personagens. É lindo de ver o avanço na personalidade de cada um, nas conseqüências trazidas pelos Jogos e pela violência a que são submetidos. Até mesmo Gale me surpreendeu, pelo menos no inicio do livro. Ele perdeu um pouco de sua arrogância egoísta e ganhou um pouquinho mais do meu respeito, embora isso não dure muito e depois ele volte a ser o mesmo cara frio e vingativo. E Peeta... Meu Deus, eu morri de agonia vendo tudo o que acontece com ele nesse livro.

Tudo nesse livro me surpreendeu, na verdade. Embora o final tenha sido levemente imaginável, a forma como ele aconteceu foi completamente diferente do que eu tinha em mente. O clima de tensão que paira no começo do livro vai se intensificando a cada página virada, a velocidade que você o lê aumenta em progressão geométrica à medida que os capítulos vão passando. É impossível de não se deixar levar. Você torce, sofre e vibra... Aliás, fazia muito tempo que eu não chorava por causa de um livro. E esse conseguiu. Eu cheguei a tal grau de desespero, que nem liguei quando as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Chega um momento em que você simplesmente pensa “E agora? O que mais ela pode fazer da vida? O que eu faria se estivesse no lugar dela?”. É difícil de responder, mas Katniss sempre nos surpreende com seu jeito impulsivo de resolver as coisas. Em “A Esperança” não é diferente. O desfecho é intenso.

Tenho que concordar quando dizem que o final é bom, mas ao mesmo tempo é bem trágico. É impossível não se sensibilizar com as conseqüências de todos os planos postos em prática pelos rebeldes. Suzanne Collins não idealizou uma história onde os bonzinhos ficam vivos e os mauzinhos morrem. Ela criou uma história com moral, com as conseqüências de uma verdadeira guerra, que, aliás, é algo que, em suas devidas proporções, sempre aconteceu e sempre acontecerá no mundo. Porque o ser humano é assim.

“[...] Mas o pensamento em prol do coletivo normalmente possui vida curta. Somos seres volúveis e idiotas com uma péssima capacidade para lembrar das coisas e com uma enorme volúpia pela auto destruição.”

Resumindo, a trilogia é algo que, com toda a certeza, pode ser definido como épico. As cenas, as descrições, as conseqüências, tudo é passado com uma clareza assustadora que te deixa com um enorme pesar depois de ler. Na verdade, eu não tenho palavras para descrever a enxurrada de sentimentos que tomaram conta de mim durante e depois da leitura. Como a própria autora disse em uma entrevista, o livro é visto de diferentes formas por diferentes pessoas. Ele é analisado através da experiência particular de cada um e é isso que torna a história ainda mais dinâmica e intensa. Para mim, uma das melhores que já li.

Trechos:
"Mesmo assim eu os odeio. Mas, é claro, agora odeio quase todo mundo. Eu mesma mais do que qualquer outra pessoa."
"Em outras palavras, se eu sair da linha, estamos todos mortos."
"Por um segundo, tenho medo de que ele esteja morrendo. Preciso lembrar a mim mesma que não dou a mínima para isso."
"O estrago, a fadiga, as imperfeições. É assim que eles me reconhecem, é por isso que pertenço a eles."
"Eu era o tordo delas muito antes de aceitar o papel..."
"Estamos com gosto de calor, cinzas e miséria."
"- Então, o que você acha que vão fazer com ele? - pergunto. 
Prim parece ter mil anos de vida quando responde: 
- O que for necessário para quebrar você."
"Snow garantirá que a vida dele seja muito pior que a morte."
"O 13 estava acostumado à dureza, ao passo que na Capital, a única coisa que conhecem é Panem et Circenses."
"... Mas sinto a arena ao meu redor. É como se eu jamais houvesse saído dela, na realidade."
"Uma necessidade de vingança pode perdurar por muito tempo. Principalmente se for reforçada por cada olhada no espelho."
"Presa há dias, anos, séculos quem sabe. Morta, mas sem permissão para morrer. Viva, mas totalmente morta."
"Não consigo acreditar o quanto eles conseguiram fazer com que eu parecesse normal pelo lado de fora, quando pelo lado de dentro estou tão devastada."

Avaliação:

Capa: 
Acabamento do livro: 
História: 
Andamento: 
Desfecho: 



Avaliação Geral:

 

Um comentário:

  1. Aí, eu ainda não li o Esperança, mas tbm já estou louca de vontade de saber o que aconteceu o final do Em Chamas foi tão desesperador... E agora vc falando assim do final do Esperanças, fiquei na maior curiosidade, já estou imaginado “ns” coisas *arrancando os cabelos de nervoso*

    Katniss se tornou uma das minhas personagens preferidas, ela é extremamente humana... É uma serie que se deve aplaudir... Muito boa mesmo... E é distopia, eu amo distopia *.*
    Bj, maravilhosa resenha... Agora tô desesperada XD

    -Amigas Entre Livros-

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