terça-feira, 10 de janeiro de 2012

[Resenha] A Zona Morta - Stephen King


A Zona Morta
Stephen King
Editora: Ponto de leitura (Edição de bolso)
Gênero: Ficção
Páginas: 610
“Após passar cinco anos em coma profundo, Johnny Smith, um simples professor, acorda de seu estado inconsciente não reconhecendo certos objetos. Segundo os médicos, Johnny está com uma área de seu cérebro danificada, a qual eles chamam de Zona Morta. Entretanto, este será o menor dos problemas na vida de Johnny daqui para frente.Ele agora é capaz de, com um simples aperto de mão, saber fatos do passado das pessoas e prever seu futuro. Para aqueles que estão a sua volta, esta é uma dádiva. Para Johnny, não passa de uma maldição. Com isso, o professor torna-se popular, atraindo um número crescente de pessoas em busca de previsões.Mas, ao apertar a mão de Greg Stillson, um inescrupuloso político norte-americano, Johnny será atormentado por uma visão apocalíptica. Ele será, então, obrigado a tomar uma decisão que pode mudar não só a sua, como a história de todo o mundo.”
Já faz algum tempo que meu namorado vem me falando do Stephen King e de seus aclamados livros. Aliás, eu mesma muitas vezes me pego envergonhada por ainda não ter lido nenhum deles. Afinal, não é um estilo muito longe do que eu gosto. Portanto, em uma de minhas últimas viagens ao Rio, peguei emprestado com a minha avó – olha ela aqui de novo xD – “A Zona Morta”, uma das obras que ela já vinha me indicando a algum tempo. E, como normalmente eu faço com livros emprestados, coloquei-o no topo de minha lista de próximas leituras. O resultado foi algo que beira a paixão e ao ódio, mas... Vamos por partes. (:

A Zona Morta conta a história de um professor que sofre um trágico acidente de carro e acorda quatro anos e meio depois, quando todos já nem acreditavam mais em sua recuperação. Aliás, quando Johnny acorda sem nenhuma lesão aparente, a surpresa é geral e ele é submetido a diversos testes e tratamentos com os melhores médicos do país. Porém, o estrago maior aconteceu psicologicamente e não fisicamente, pois, ao acordar, Johnny vê a sua vida toda de cabeça para baixo: a garota que amava seguiu em frente, casou-se e teve um filho; sua mãe adoeceu e ficou mentalmente desequilibrada; sua carreira foi desfeita. Absolutamente nada restava de sua antiga vida. Aliás, tudo era novo demais, principalmente quando ele se descobre dotado de um dom – ou seria maldição – de prever coisas que vão acontecer, de achar objetos perdidos, ou rever memórias. De repente, Johnny se vê afundado em cartas e notícias de jornais sobre seu misterioso presente e, então, sua vida se torna de vez uma verdadeira bagunça.

O livro é, no mínimo, estranho. Quero dizer, não exatamente estranho no sentido pejorativo da coisa. A história é muito bem narrada. As descrições, as ações, os personagens... Tudo te faz ter uma noção exata daquilo que o narrador quer passar. Stephen consegue realmente criar o ambiente e dar vida a ele de forma que chega a ser deslumbrante. O único problema é que, para isso, ele enrola demais o livro. Veja bem, a versão que eu li (a de bolso) tem 610 páginas, a história propriamente dita – com o político, a visão apocalíptica e tudo o mais – começa à partir da 471. Sério, eu escrevi um post-it na página comentando isso. Você simplesmente passa o livro inteiro dando voltas e mais voltas antes que ele finalmente resolva que as páginas já se estenderam demais e esta na hora de concluir a história.

Veja bem, isso não é algo ruim. A enrolação é pertinente, já que, com ela, você vai lentamente evoluindo junto ao personagem, sentindo com ele tudo aquilo que o faz mudar e tomar as decisões que ele acaba tomando. O problema é que é enrolação demais. Tem muitas passagens completamente desnecessárias que servem pura e simplesmente para encher as páginas e fazer a obra parecer maior. Isso torna a leitura muito chata e, por vezes, confusa. Eu já tive uma experiência traumática com “A Hora das Bruxas”, chegar às desesperadoras 400 páginas do livro sem ter nem começado a história quase me fez abandonar a leitura.

Um ponto positivo para o autor é a boa estruturação de seus personagens. Todos têm personalidades bem feitas; mutáveis, mas não exageradas ou descuidadas. Há uma malícia intencional em todas as pequenas mudanças que ocorrem neles durante a história, algo cuja enrolação ajudou a tornar mais sutil, porém, notável. Não tive muitos afetos, mas também não tenho o que reclamar de nenhum deles. Exceto a mãe de Johnny, que eu juro que estava me dando nos nervos com a sua paranoia.

Em geral, o único defeito do livro foi perder o encanto de uma história bem bolada com páginas alongadas de enrolação. O final, apesar de um pouco previsível, causou arrepios e horas de meditação pós-leitura. Eu não o recomendaria para pessoas que preferem leituras rápidas e intensas. É, algo para ser lido quando se tem mais tempo e paciência, mas que não deve ser desprezado por se tratar de um livro mais lento.

Trechos:
"Tocar nas roupas das pessoas e de repente conhecer seus pequenos temores, pequenos segredos, seus insignificantes triunfos - isso era anormal. Era um dom anormal, era uma maldição."
"Se dissolvendo. Tudo se dissolvendo. Isso era bom. Teria sido melhor se jamais tivesse saído do coma. Melhor para todos os envolvidos. Bem, ele teve a sua chance."
"Mas fora devorado por um grande peixe. Seu nome não era Leviatã, mas coma. Ficara quatro anos e meio na barriga escura do tal peixe, e isso era o bastante."
"Mas dentro da pele do homem, uma besta."
"Não. Matar só faz nascerem novos dentes no dragão. É no que acredito. É no que acredito de todo o coração."
"A Remington foi carregada com cinco balas. Ele a pousou nos joelhos. E esperou."
"Todos nós fazemos o que podemos, e isso tem de ser bom o bastante... e se não é bom bastante, temos de continuar fazendo. Nada jamais é perdido, Sarah. Não há nada que não possa ser encontrado."
Como pede a tradição, aqui vai o trailer do filme – que data 19 e bolinhas. 


Avaliação:

Capa: 
Acab. do livro: 
História: 
Andamento: 
Desfecho: 

Avaliação Geral:

Um comentário:

  1. Eu nunca li nada do autor ><
    Mas tem um livro dele na biblioteca que frequento e qualquer dias desses, eu pego :D
    Apesar de ser uma pessoa que gosta de detalhes nas leituras é muito chato quando a leitura começa a ficar enfadonha, com passagens que estão ali só para encher paginas. Mas que bom que ele é bom na criação de seus personagens. Esse livro especificamente não seria uma prioridade, mas se surgir a oportunidade não perderei a chance XD
    Bj!

    -Amigas Entre Livros-

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