segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

[Coluna] Através do Espelho #3: Eragon.


Já haviam me falado que o filme era ruim antes mesmo de eu pensar em vê-lo. Porém, e ao passo que a maioria das adaptações cinematográficas, de fato, normalmente fica muito a desejar, fui teimosa e ainda assim o aluguei o tal filme.

Sinceramente? Seria gentil dizer que eu o achei uma das piores adaptações que eu já assisti, perdendo apenas, talvez, para “O Ladrão de Raios”.

Produzido por John Davis e dirigido por Stefen Fangmeier, Eragon foi para as telinhas em 2006 e, após a sua estréia, foi bombardeado por uma série de críticas. A maioria, infelizmente, com toda a razão. Sabe, por mais que eu deteste ser condescendente com alguma coisa, normalmente quando se trata da adaptação de algum livro para as telinhas do cinema, eu tento ser, no mínimo, um pouco paciente. Eu sei como é difícil trazer para a vida real, todas as nuances e os detalhes que estão dispostos no livro. Acredite, eu fiz teatro por um tempo e, quando fazíamos adaptações de roteiro, ficávamos horas e horas quebrando a cabeça para encaixar as coisas da melhor forma possível. Portanto, quando eu afirmo que uma adaptação cinematográfica ficou ruim, é porque ela conseguiu quebrar todas as minhas expectativas e observações, mesmo aquelas em que eu procurei fazer vista grossa.

No caso de Eragon, houve muitos detalhes que me desagradaram. E não só isso, as mudanças na história foram tão grandes e tão gritantes, que é quase possível chamar o filme de “derivação” e não de “adaptação”. É bem mais fácil achar disparidades do que semelhanças.

Eu não consigo entender o motivo por detrás das adaptações feitas nesse filme, faltou história e faltou enredo. Aliás, quando se termina o filme, fica aquela sensação de que alguma coisa ficou faltando, alguma explicação ou algum detalhe importante. Uma coisa que era pra ser intensa, cheia de um profundo conflito interno, e com uma história política de tirar o fôlego, se tornou apenas o relato de alguns fatos e pura pancadaria para a exibição de efeitos especiais.

E não foi apenas isso! Como se não bastasse encurtar as histórias envolvidas na trama, houve a eliminação de muitos personagens de importância vital para a série. A começar pelos gêmeos que recepcionam Eragon em sua chegada aos Varden. Eles tiveram uma participação perturbadora e ao mesmo tempo importante em sua entrada e adaptação à nova moradia. Depois (Absurdo dos absurdos!) eles não incluíram a existência de Solembum, o menino gato e meu personagem favorito. Ele tem uma importância vital na continuação da história e, sem ele, muitas pontas acabaram por ficarem soltas na história.

Outra coisa que me incomodou de uma forma quase física, foi a clara atração que Arya sente por Eragon. Meu Deus, isso não existe no livro! Ela não se demonstra tão interessada por ele durante a história do primeiro livro! Isso acabou se tornando uma coisa muito forçada no filme, imposta para criar um laço amoroso que possa atrair, de alguma forma mórbida, mais atenção.

Não dá para listar todos os detalhes que diferenciam o filme do livro, pois a lista ficaria realmente extensa, mas dá pra ter uma boa noção do quanto à trama foi distorcida e o quanto o filme ficou estranho e sem propósito. Eu posso ser fresca, mas normalmente não costumo odiar tanto um filme quando odiei Eragon. Sério. Não aconselho esse filme nem por curiosidade.

Um comentário:

  1. Eu fui ver o filme com a maior da expectativa e depois fiquei com aquela cara de "É uma piada, né?". Parece que eles só pegaram o básico do básico da história para colocarem no filme, ficou algo totalmente raso.

    Beijos.

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