quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

[Resenha] Bela Maldade - Rebecca James


Bela Maldade
Rebecca James
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção, Drama
Páginas: 302
“Após uma horrível tragédia que deixou sua família, antes perfeita, devastada, Katherine Patterson se muda para uma nova cidade e inicia uma nova vida em um tranqüilo anonimato.Mas seu plano de viver solitária e discretamente se torna difícil quando ela conhece a linda e sociável Alice Parri. Incapaz de resistir à atenção que Alice lhe dedica, Katherine fica encantada com aquele entusiasmo contagiante, e logo as dias começam uma intensa amizade. 
No entanto, conviver com Alice é complicado. Quando Katherine passa a conhecê-la melhor, percebe que, embora possa ser encantadora, a amiga também tem um lado sombrio. E, por vezes, cruel.Ao se perguntar se Alice é realmente o tipo de pessoa que deseja ter por perto, Katherine descobre mais uma coisa sobre a nova amiga: Alice não gosta de ser rejeitada. ”
Capa bonita, título chamativo, uma sinopse instigante... Já fazia um tempo que esse livro chamava minha atenção todas as vezes que eu me deparava com ele. Além disso, o tema abordado na obra é algo um tanto quanto presente em minha vida, de uma forma diferente, é claro. Mas, ainda assim, assustadoramente próximo. Então, quando surgiu a oportunidade de lê-lo, aproveitei e absorvi o livro até as suas últimas páginas... Aliás, admito que eu precisei de um tempinho para mastigar aquilo que tinha acabado de ler e formular uma opinião sólida.

Katherine e Rachel são irmãs e, apesar da pequena diferença de idade, elas se dão muito bem. Porém, uma tragédia acontece e Rachel morre, deixando para trás uma família devastada pela dor da perda e uma irmã assombrada por um aterrador sentimento de culpa. Aquilo que antes era tão perfeito torna-se algo desmembrado e perseguido por manchetes, teorias e notícias distorcidas. Sem agüentar mais um momento sequer de toda aquela pressão, os pais de Katherine resolvem se mudar, mas, ao invés de ir com eles, a protagonista prefere morar com sua tia. Prefere fugir da consciência pesada da culpa e de ter que encarar os seus pais.

Entretanto, enquanto curtia o seu anonimato depois de um longo e conturbado período de atenção, Katherine conhece Alice, uma garota linda, entusiasmada e que traz um pouco de sentido para a sua vida vazia. Ela só não esperava que essa nova amizade pudesse ser tornar algo tão doentio. E que as conseqüências por causa disso fossem tão radicais.

A narrativa é uma coisa bem diversificada nesse livro. Existem três momentos diferentes que são tratados durante a história: O passado-distante, aquele em que Rachel foi morta; o passado-próximo em que ela conta sobre a sua relação com Alice; e o presente, o atual momento depois de tudo o que houve. Porém, tanto o passado-próximo quanto o presente são narrados no presente, o que não faz muito sentido... Mas, tirando esse pequeno detalhe, o livro é muito bem escrito. A narrativa é rápida e simples, e a autora te envolve de tal maneira, que em pouco tempo você começa a relacionar a sua própria vida com a daqueles sobre os quais as páginas você esta lendo.

Katherine, no começo do livro, é muito chata. Ela repete incontáveis vezes sobre o quanto a sua vida é miserável, o quanto ela se sente culpada e o quanto o seu passado tem que se manter em segredo. Isso acaba se tornando algo insuportável. Por diversos momentos, pensei mesmo em abandonar a leitura simplesmente por não suportar mais a personagem. Porém, depois da metade do livro, tudo faz sentido e você passa a entender perfeitamente o porquê dela ser assim. Depois da metade, o livro se torna tão tenso, tão pesado, que quando você termina a leitura, seus membros estão rígidos e doloridos. E não é apenas Alice e sua amizade ambígua, é toda uma trama construída por cima de um sentimento mórbido de culpa e a necessidade de redenção. Uma trama bem elaborada, envolvente.

Assim, Rebecca brinca o tempo todo com os sentimentos do leitor, testa seus limites e faz com que elabore teorias, para, no final, criar um desfecho surpreendentemente novo. Eu não esperava mesmo a forma como o livro encerrou. E olha que desde o começo você já sabe mais ou menos o que acontece no final, já que o livro começa de trás pra frente, contando como está a vida de Katherine no presente. Eu juro que meu primeiro pensamento foi “Ah, agora que já sei o final, não terá tanta graça”. É, eu estava enganada.

Achei uma tirada inteligente, bem feita e muito esclarecedora, em diversos aspectos. Mas tenho que avisar que o clima do livro é pesado e o seu desfecho é bem triste. Não o recomendo para quem está precisando de uma injeção de entusiasmo, mas é um livro que, mais cedo ou mais tarde, deve ser lido.

Trechos:
"Já ouvi dizer que as pessoas encantadoras, poderosas, têm o dom de nos fazer sentir como se fôssemos a única criatura do mundo, e agora sei exatamente o que isso significa."
"Mas, quando Rachel morreu, meus planos foram por água abaixo, as coisas saíram completamente do trilho. Os próprios trilhos foram arrancados debaixo de mim, despregados do chão, destruídos."
"Mas só consigo olhar para os olhos de Alice. Eles são frios, avaliadores, e as pupilas, tão dilatadas, que tudo o que posso ver é escuridão. Dura e inflexível. Profunda. Implacável. Ali, só há trevas."
"Um ódio tão forte que pude sentir seu gosto, pungente e amargo, subir por minha garganta. Curvei-me na terra e peguei uma pedra, apertando-a na mão com tanta força, que ela penetrou na superfície de minha pele. Mas gostei da dor, gostei daquela aspereza."
"Tenho medo de trazer à tona tudo de novo, como um cadáver fedorento, a polícia inútil e desastrada, os jornalistas avançando sobre a carne podre como abutres."

Avaliação:
Capa: 
Acabamento do livro: 
História: 
Andamento: 
Desfecho: 




Avaliação Geral:

 

Um comentário:

  1. Eu gosto da capa desse livro e a história me chama um pouco a atenção, tenho vontade de ler, mas não é uma das minahs prioridades.

    Ótima resenha (:

    Bj;*
    Naty.

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