sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

[Resenha] O Pistoleiro - Stephen King (A Torre Negra #1)


O Pistoleiro
Stephen King
Editora: Objetiva
Gênero: Ficção, Fantasia
Páginas: 221

Roland Deschain, último descendente do clã de Gilead, e derradeiro representante de uma linhagem de implacáveis pistoleiros desaparecida desde que o Mundo Médio onde viviam "seguiu adiante". Para evitar a completa destruição desse mundo já vazio e moribundo, Roland precisa alcançar a Torre Negra, eixo do qual depende todo o tempo e todo o espaço, e verdadeira obsessão para Roland, seu Cálice Sagrado, sua única razão de viver. O pistoleiro acredita que um misterioso personagem, a quem se refere como o homem de preto, conhece e pode revelar segredos capazes de ajudá-lo em sua busca pela Torre Negra, e por isso o persegue sem descanso. Pelo caminho, encontra pessoas que pertencem a seu ka-tet - ou seja, cujo destino está irremediavelmente ligado ao seu. .”

Não preciso nem dizer quem me emprestou e me convenceu a ler o livro, certo? Bem, admito que já fazia um tempo em que eu tinha curiosidade em lê-lo, já que tantos amigos falavam tão bem da série. Então, aproveitei a oportunidade sem pestanejar, aceitei o tal livro emprestado e tentei ler sem qualquer influência externa em minha opinião. É... Acho que isso não seria necessário, afinal. A leitura foi bastante singular para mim. Não sei se por falta de costume em ler essas obras mais densas, ou por falta de inteligência, mesmo; mas achei o livro deveras, veja bem, DEVERAS, confuso.

Roland é um pistoleiro. Ele vaga por terras desérticas, perseguindo um homem vestido de preto, que, acredita ele, tem as respostas para muitas de suas perguntas. Durante essa perseguição, passa por uma cidade condenada, é preso por armadilhas deixadas pelo tal homem, quase morre debaixo do sol escaldante, encontra colonos e algumas pessoas que o ajudam a seguir em frente. Porém, nem tudo parece ser como ele achava. Durante suas reflexões, percebe que não sabe de quase nada. Suas perguntas vão se acumulando, suas respostas são muito poucas. Ele precisa encontrar o homem de preto.

Uma mania terrível que Stephen King tem, e que eu notei em sua outra obra lida por mim “A Zona Morta”, também, é a de abrir milhares de pontas na história e não fechar nenhuma até as últimas dez páginas. Isto é, se ele resolver fechar, o que não é o caso de “O Pistoleiro”. Do começo ao fim você é bombardeado de perguntas e mais perguntas, fatos distorcidos, meias verdades, e nada faz sentido, mesmo depois de terminar a história. Sei que boa parte disso será esclarecida nos outros livros, mas não saber de nada dá um verdadeiro nó no cérebro e uma sensação de leitura mal feita, mal aproveitada. Eu sinceramente acho que vou precisar de uma segunda leitura pra saber se absorvi realmente tudo o que poderia desse livro.

Entretanto, apesar da minha ainda presente sensação de que eu deixei algo para trás, eu gostei bastante do livro. Stephen te faz acreditar em um mundo, em uma trama, que, a princípio, parece completamente absurda, mesmo para um livro fantástico. Ele vai te apresentando à história, te envolvendo com as descrições – muitas vezes bem fortes – de tal forma, que, depois de algumas páginas, você já a aceita de bom grado. Você já entra e se mistura àquele mundo, tentando entendê-lo, tentando dissecá-lo em seus mistérios. É algo interessante, que te mantém preso ao livro durante horas e mais horas, sendo tentando a terminá-lo logo. Isso tudo traduzido em uma narrativa rápida, fugaz. O livro pode ser um pouco denso, confuso, e até meio forte, mas é, com toda a certeza, bem rápido de se ler. Sem palavras rebuscadas, ou descrições desnecessariamente longas e cansativas.

Gostei dos personagens. Apesar deles, em sua maioria, serem secos e desprovidos de emoção alguma. Pode-se perceber, se observar com atenção, as pequenas cascas que os envolvem, prontas para serem retiradas a qualquer momento, mesmo que bem aos poucos. Era de se esperar essa rudeza das pessoas, ainda mais no ambiente em que vivem, e achei que tal representação ficou, de fato, muito boa. Ainda discordo da idade de Jake, o garoto encontrado pelo Pistoleiro em algum momento de sua caminhada pelo deserto. Eu sei que esse exemplo é relativo, mas meu irmão tem a mesma idade do menino e duvido muito que tenha metade do raciocino dele. Um garoto de onze anos não é capaz de tamanho discernimento.

Agora, o ápice do livro, aquilo que lhe rendeu a nota quarto, foi o final maravilhoso. Não sei se sou eu que sou extremamente deslumbrada essas com as coisas, mas achei magníficas as explicações filosóficas a que somos submetidos nas últimas páginas. E isso é algo em que tenho que tirar o chapéu para o autor. Nos dois livros que li, ele soube trazer uma mensagem muito mais profunda do que a do sangue escorrendo pelas vítimas, do que os tiros disparados e as cenas fortes de ação. Ele soube trazer reflexões, muitas delas um pouco confusas, admito, mas boas reflexões. Achei-o interessante e, ao mesmo tempo, inesperado.

Para elaborar a minha opinião sobre a indicação desse livro, acho que terei de ler o segundo. Tenho grandes expectativas e espero não estar errada. Mas, se me fossem perguntar agora, se este é um livro que vale a pena ser lido. A resposta é "sim", ainda mais pelo final. Emocionante - de sua forma particular, intenso e reflexivo. Uma boa leitura para o final de semana (:

Trechos:
"Kennerly se agachou e sorriu. O pistoleiro viu bem claramente o assassino nos olhos dele e, embora não temesse a imagem, marcou-a como se pode marcar a página de um livro, alguma página que contenha instruções potencialmente valiosas."
"As pessoas querem assim. Cedo ou tarde, se não surge outro renegado, as pessoas inventam um."
"Todas as fichas na mesa. Todas as cartas expostas, com exceção de uma. O garoto balançado, uma carta viva de tarô, o Enforcado, o Marinheiro Fenício, um inocente perdido que mal conseguia se manter sobre as ondas de um mar infernal."
"Depois, revirando sua mochila quase vazia, encontrou um resto de carne seca. Estava muito salgada, doía na boca e tinha gosto de lágrimas."


Avaliação:

Capa:  
Acabamento do livro: 
História: 
Andamento: 
Desfecho: 


Avaliação Geral:

 

Um comentário:

  1. Ui ele é pistoleiro kkkk
    Oi Flor(a)
    Eu não tenho o King entre meus favoritos não, acho ele meio doido demais quando o assunto é literatura... Mas ainda assim, costumo ler seus livros, acho que um dia coloco este na lista ;)

    Besito
    Matheus

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