quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

[Resenha] Um Dia - David Nicholls

Um Dia
David Nicholls
Editora: Intrínseca
Gênero: Romance
Páginas: 416
“Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro.Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas – vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois.Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.”
Ganhei esse livro de natal do meu pai depois de uma longa dose de argumentação e um pouco de insistência. Não sei por que ele me chamou atenção, mas, enquanto vasculhava a longa pilha de ofertas que decoravam a mesa da livraria em que estávamos, peguei-o nas mãos várias vezes e não consegui deixar de levá-lo. Fosse pelo fato da capa ser maravilhosa, fosse pelo fato do resumo ter chamado a minha atenção, ou fosse pelo fato do filme ser estrelado por uma de minhas atrizes favoritas, aqui estou eu, depois de ter lido todas as 416 páginas com muita atenção e expectativa.

Emma Morley e Dexter Mayhew se conhecem na formatura da universidade e passam a noite juntos. Porém, apesar da atração quase mágica que acomete os dois durante esse curto período, ambos sabem muito bem que suas vidas seguirão rumos diferentes no dia seguinte. Dexter se torna um famoso apresentador de televisão esnobe e fútil. Emma tenta a dar sentido a sua vida de várias formas, mas acaba presa em trabalhos terríveis e tentativas frustradas. Os dois mantêm contato, por vezes frágil e muito vago e, por outras, com intensidade e saudade; mas apenas como bons amigos.

A narrativa, em terceira pessoa, é bem gostosa, apesar de em vários capítulos oscilar entre o passado e o presente de forma, pelo visto, desnecessária ou não-intencional. Uma coisa divertida, é que todos os capítulos são contados no mesmo dia, mas nos diferentes anos que seguem depois da formatura, dando um breve resumo dos últimos meses e narrando a atual situação de cada um deles. Essa é uma forma diferente de narrar que traz um pouco mais de dinâmica ao livro, fazendo com que você acompanhe, em poucas páginas, grandes passos dos personagens – alguns nem tão nobres assim.

Dexter é um cretino. Independente de o quanto ele mude, na essência, ele sempre será daquele jeito boêmio e despretensioso. Minha aversão a ele é declarada desde as primeiras páginas do livro. Até porque, ele é o tipo de homem pelo qual eu mais temo me apaixonar algum dia. Não tenho palavras para dizer o quanto abomino essa personalidade descontrolada e sempre tão mesquinha, ou sem qualquer objetivo na vida. Não consegui torcer pelo casal em momento algum. Principalmente porque eu adorei Emma! Eu me identifiquei com ela de uma forma quase que simétrica. Ela tem sonhos grandes (O de escrever é o que mais me encanta, devo ressaltar), tem vontade, tem conhecimento, mas não tem auto-estima, não tem confiança alguma. Eu fiquei tão hipnotizada pela forte semelhança com a personagem, que me peguei temendo e praguejando o meu medo de ter um destino igual ao dela – pelo menos durante os seus vinte e tantos anos. Já tive tantos sonhos em que eu terminava trabalhando em alguma rede de fast-food sem graça e sem objetivos, que cheguei a arrepiar quando vi esse destino estampado na personagem.
“Você é linda, sua velha rabugenta, e se eu pudesse te dar só um presente para o resto da sua vida seria este. Confiança. Seria o presente da Confiança. Ou isso ou uma vela perfumada."
Em geral, e apesar de não gostar de Dexter, tenho que tirar o chapéu para a elaboração dos personagens. Todos eles. São muito humanos, recheados de defeitos, medos e imperfeições. Eles são tão próximos da realidade, que é muito difícil não se apegar a algum e se encontrar nele. De todos os pontos em que analiso um livro, este, com certeza, me ganhou pelos personagens.

Desde as primeiras páginas, os primeiros capítulos, eu já fui me encantando pelo livro. Acho que foi pela forma natural com que ele vai se desenrolando, sem utopias, uma história que pode muito bem acontecer com qualquer pessoa aqui e que, talvez justamente por causa disso, cause certa compaixão, uma comoção pelos erros e empreitadas em que os personagens são submetidos. Entretanto, apesar do desenrolar ser bom, infelizmente, ele é um tanto quanto sem sal. Não trás maiores encantos. O que eu quero dizer com isso, é que, de sem graça e normal, já basta a minha vida. Eu gostaria de um livro, no mínimo, um pouco mais expressivo, algo que me fizesse pensar.

Outra coisa, é que não gostei do final. Eu o achei, de uma forma um pouco incômoda, inexpressivo. Não deu tempo nem de sentir alguma coisa. Achei que ele poderia ter sido mais explorado, mais comovente. Não sei. Talvez pudesse ter algo mais ali, algo que fizesse toda a enrolação do livro valer a pena. Algo que justificasse o marasmo da história. Mas não há.

Em suma, eu acho que o livro é um pouco superestimado. Ele não vale toda a aclamação que recebe e, podem tacar pedras, eu não acho que ele mereça o título de "Clássico Moderno". Para começar, o livro inteiro, apesar de ser de fácil leitura, é apenas a narrativa da vida de duas pessoas que poderiam ser qualquer outra. Não há clímax, ou aquele momento em que você pensa "Meu Deus! E agora, o que vai acontecer? Preciso ler mais para descobrir.". Nada disso! E o final é tão avulso que você tem até que reler o capítulo para ver se é aquilo mesmo. Não me leve a mal, eu gostei do livro. Ele é bom, mas é apenas isso. Não acho que ele mereça ser colocado no pedestal, como muitos dizem por ai. A única coisa coisa que segurou a nota dele no três, e quase no quarto, como eu pensei em colocar, foram os personagens. Estes, sim, mereceram a minha total atenção, já que foram muito bem feitos. Eu diria uma das melhores elaborações de personagens que já li.

Trechos:
"- Loco Caliente quer dizer louco quente: "quente" porque o ar-condicionado não funciona, "louco" porque é o que você precisa ser para comer aqui."
"- Escorregou da minha mão. - Explicou Emma, batendo com a toalha na espuma da cerveja e pensando: "Mais oito dias e oito noites disso e eu vou entrar em combustão espontânea.""
"- Não faço idéia. Essas namoradas são como peixinhos de aquário: não adianta dar nomes, elas nunca duram muito tempo."
"Será que não entendem como é difícil se manter íntegro e com a cabeça no lugar quando tanta coisa acontece com a gente e a vida é tão intensa e agitada?"
"- As pessoas te amam, Dex, de verdade. O problema é que elas te amam de uma forma irônica, meio sacana, uma espécie de mistura de ódio e amor. O que você precisa é de alguém que ame você sinceramente..."
"Já cansou de expressar alegria ao ver um bebê engatinhar, como se isso fosse um desenvolvimento completamente inesperado. O que eles esperavam, que voasse?"
Trailer do filme:



Avaliação:
Capa:
Acabamento do livro: 
História: 
Andamento: 
Desfecho: 

Avaliação Geral:

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