quinta-feira, 5 de abril de 2012

[Coluna] Da Terra do Sol Nascente #6 - Death Note - Tsugumi Ohba e Takeshi Obata



Death Note
Tsugumi Ohba e Takeshi Obata
Editora no Brasil: JBC
Gênero: Suspense, sobrenatural
Volumes: 108 capítulos divididos em 12 volumes.
“O Death Note é um caderno todo em cor preta e que tem seu nome escrito na parte frontal dele. Esse caderno tem a capacidade de matar qualquer pessoa apenas se os nomes destas forem escritos nele enquanto o portador visualizar mentalmente o rosto de quem quer assassinar. Normalmente, as pessoas cujos nomes são escritos no caderno morrem de um ataque cardíaco depois de quarenta segundos, a menos que se especifique a causa da morte.”
Aha! Quem foi que disse que eu não leio mangá também? Depois vários meses invejando a coluna escrita pela Lara (No começo) e pelo Matias (Atualmente), eu precisei vir aqui dar o meu parecer e fazer uma resenha de um dos meus mangás favoritos. E é claro que tinha que ser um bem soturno ao estilo Flávia.

Conheci “Death Note” em algum momento do meu período verdadeiramente otaku. A história me interessou logo de cara, no momento em que li a sinopse. Então, quando comecei a ler o mangá de fato, não poderia ter sido diferente. Foi aquele tipo de história em que você praticamente se aliena do mundo, lendo volume atrás de volume até terminar tudo e descobrir todos os mistérios que permeiam a trama. Não tenho outra opção a não ser dizer que o mangá é fascinante. Death Note é uma história ousada, cheia de valores políticos e morais que criam dois polos distintos de opiniões, ambas com doses robustas de hipocrisia e contradição. Cabe ao leitor decidir qual delas é, teoricamente, a mais eticamente correta.
“O humano cujo nome for escrito nesse caderno morrerá;”
“A escrita do nome não terá efeito se o escritor não tiver em mente o rosto da vítima. Assim como pessoas que compartilham o mesmo nome não serão afetadas;”
“Se a causa da morte for especificada dentro de 40 segundos depois de escrito o nome da vítima, será a causa da morte. Não sendo especificada, a vítima morrerá de ataque cardíaco;”
“Após especificar a causa da morte, detalhes dessa podem ser escritos nos próximos 6 minutos e 40 segundos;”

Ryuku é um Shinigami (Deus da Morte) cansado de sua rotina entediante e mórbida. Então, para tentar animar as coisas, ele escreve as instruções de uso de seu instrumento de trabalho, o Death Note, e o lança na Terra, curioso para descobrir o que um humano faria em posse de tão mortal artefato. Eis que Raito Yagami, um estudante brilhante do Japão, encontra o caderno caído no chão, e desde então sua vida muda completamente.

A principio, Raito desconfia da autenticidade daquilo, mas depois de fazer alguns testes, acaba percebendo que tem em suas mãos o poder de matar quem ele bem entendesse. Acontece que esse poder, ao invés de assustá-lo, faz crescer nele um sentimento distorcido (Ou não?) de justiça. Ele deseja se tornar o “Deus do Novo Mundo” e limpar a Terra daquilo que é mau. Assim, o estudante começa a matar todos os criminosos cujo nome e a face ele tenha conhecimento.

Mas, não são todos que consideram as suas atitudes como um ato nobre. As mortes inexplicáveis chamam a atenção do FBI e um detive muito bom, intitulado “L”, entra em ação.

Eu não sei nem por onde começar a descrever todas as opiniões que eu tenho borbulhando aqui comigo sobre essa história. Ela é intrigante, misteriosa, e muito ambígua. Aliás, ela é tão bem escrita, e tão bem desenvolvida, tanto no sentido de trama, quanto no sentido psicológico, que, em certo momento, você acaba adquirindo simpatia pelo protagonista, torcendo por ele e acreditando em seus valores. As noções do que é certo e do que é errado acabam se perdendo em meio à briga entre o matador e o detetive. Afinal, as ideias de Raito estariam tão erradas? Os seus princípios, a essência daquilo que ele fazia eram, de fato, tão condenáveis? São perguntas difíceis de responder. Na verdade, admito que eu, em momento algum, torci pelos detetives. Desde o começo, por mais que eu tentasse mudar de opinião, eu quis que Raito atingisse seus objetivos.

E a ambiguidade se encontra justamente nisso: Yagami estava brincando de Deus, e a polícia não queria que uma pessoa tivesse o mesmo (ou maior) controle sobre a vida e a morte do que eles tinham. Em uma visão ética, quem estaria errado?

A história é tensa do início ao fim. Não existem trechos cansativos, ou qualquer brecha para recuperar o fôlego. A trama traz acontecimentos inteligentíssimos onde “L” e Raito se desafiam para ver quem é o mais esperto, para ver quem cometerá o primeiro deslize e perderá a disputa. Uma perda que pode resultar na sua morte.

Uma coisa muito interessante de ser acompanhada é a mudança psicológica dos personagens, a forma como lentamente o ambiente vai moldando os traços, as atitudes, os pensamentos...  Eu não posso entrar muito nesse assunto sem acabar soltando spoilers, mas posso afirmar que é algo que o autor soube fazer com maestria e que pode ser notado com uma intensidade arrepiante. E isso, somado aos traços muito bem desenhados de um mangá cuidadosamente elaborado, a uma trama recheada de mistérios, perguntas, e um jogo de inteligência de tirar o fôlego, fazem de Death Note um dos melhores mangás que eu já li.


Avaliação:
Ilustração: 
Narração: 
História: 



Avaliação Geral:

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