quarta-feira, 15 de agosto de 2012

[Resenha] Bios - Luíza Salazar


Bios
Luiza Salazar
Editora: Underworld
Gênero: Distopia, Ficção
Páginas: 325

“Quando ela acordou, sua cabeça doía. Não era uma dor comum, era como se alguma coisa estivesse tentando sair da sua cabeça.
Enquanto caminhava, ela olhava em volta. Era quase impossível achar um único prédio que estivesse de pé. Destroços estavam por toda parte e ela pulava por cima de pedras quebradas o tempo todo. Mas, antes que ela pudesse pensar sobre o horror que a cercava, ela percebeu algo pior.
Onde diabos ela estava? E quem era ela?”
Está ai mais uma surpresa trazida pelo mercado literário brasileiro.

Na verdade, nem é tão surpresa assim. Eu já conhecia a Luíza Salazar pela sua primeira obra: Os Sete Selos. Mas esta, apesar de ter sido muito boa, não foi tão impactante para mim, quanto foi este segundo.

Bem, eu comprei os dois livros em uma promoção promovida pela editora na Bienal do Rio de Janeiro. Mas, por algum motivo, eu tinha expectativas muito maiores com “Os Sete Selos” do que com “Bios”, talvez por causa da capa, ou por causa da sinopse – Eu nunca fui muito fã de distopia, embora tenha lido muitas, ultimamente.

Portanto, é de se imaginar a minha surpresa ao ler “Bios” e constatar que ele, de certa forma (só posso comprar as obras em um âmbito mais estético, uma avaliação mais voltada para a narrativa e escrita, já que as histórias em si são completamente diferentes), é melhor do que Sete Selos. Eu gostei muito da história, da narrativa, do desenvolvimento e, principalmente, dos personagens. Luíza acertou em cheio nesse livro.

A obra conta a história de Liza, uma garota que acorda sem qualquer memória dentro de uma cidade em ruínas e que acaba sendo levada para um acampamento de humanos fugitivos do governo, onde recebe abrigo, comida e olhares desconfiados. Então, ela precisa descobrir quem é, de onde veio e o que estava fazendo dentro daquela cidade.

Acontece que Liz possui dons misteriosos e suas ações falam muito mais do que suas lembranças. Depois de alguns dias de convívio com aquele povo sofrido e com suas memórias distorcidas, ela descobre que certas lembranças podem ser perigosas.

O livro, é claro, tem seus errinhos – o que acabou por se tornar uma das maiores birras que eu tenho com a editora. Mas, se não for levar isso em conta, pode-se equipará-lo tranquilamente aos tão aclamados livros americanos. De verdade.

Criar um livro distópico onde tudo se encaixa, ainda mais tendo como espaço apenas um livro, e não uma série, é bem difícil. Precisa-se de coerência e, principalmente, que todas as perguntas abertas (ou pelo menos a maioria) durante a história sejam respondidas. E a autora conseguiu isso com maestria. Aliás, eu gostei bastante da trama criada, me surpreendi com algumas das revelações e fiquei satisfeita como desfecho.

Em suma, este é um livro pequeno e completo. Tem uma narrativa fluida, personagens muito bem feitos (eu particularmente gostei de todos eles!), cenas de ação de tirar o fôlego, a tão adorada trama política que sempre permeia os livros distópicos, e um desfecho bem legal. Tudo colocado harmonicamente em 325 páginas que te prendem do começo ao fim.

Diante da atual febre por livros distópicos, acredito que “Bios” seja uma boa adição ao repertório. É um livro nacional que vale a pena ser lido. Recomendo-o a todos que gostam do gênero e àqueles que leram e gostaram de “Sete Selos”. Aguardo pelo próximo livro da autora que, se não me engano, sairá pela editora Draco.

E não, não há nenhum Bio na capa... Ela é meramente ilustrativa.


Avaliação:
Acabamento do livro: 
História: 
Andamento: 
Desfecho: 

Avaliação Geral:
 

3 comentários:

  1. Uma distopia nacional? Já gostei! Fiquei curiosa para saber se é um livro tão bom quanto você diz, gosto bastante de distopia e achei bem interessante a sinopse. Adorei a resenha!

    Beijo;*
    Naty.

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  2. Oi Flávia!
    Acho muito legal os autores nacionais investirem em temas como distopia e atualmente tenho preferido ler mais livros nacionais do que estrangeiros, porque a narrativa é mais leve, mais fácil de entender e flui melhor. Gostei da sua resenha, me deu até vontade de ler o livro, acho que mais frente vou comprar ele.

    Beijos
    Wallace- Eco Livros

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  3. Uma distopia nacional? Já gostei! [2] Ainda me lamento por ter perdido essa promoção da Under ano passado, mas concordo com você, os erros de revisão incomodam bastante :( Parabéns pela resenha!

    Beijos,
    whosthanny.com

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