segunda-feira, 17 de setembro de 2012

[Coluna] Tamanho [não] é documento


Eu ouvi há alguns dias um comentário que me deixou muito preocupada, muito mesmo. Abordando-me quando eu estava lendo o livro “A Guerra dos Tronos”, uma pessoa, que também lê bastante, me disse: “Para que eu vou ler esse trambolho? É grande demais!”.

Epa! Epa! Epa! Como assim “pra quê”? Aliás, a melhor pergunta seria: Por que não? Afinal, qual é a diferença de um livro grande para um livro pequeno? O que aconteceu com a qualidade, a narrativa, a história e o envolvimento como formas de análise de um livro? Quer dizer que agora o que define se um livro é bom ou ruim é o seu tamanho?

Eu costumo ouvir essa frase de muitas pessoas que não tem o hábito de ler, mas, ouvir isso da boca de alguém que tem o costume e gosta, é um pouco mais sério.

Veja bem, eu não estou defendendo os livros grandes. Aliás, eu já li um monte de obras pequenas que foram maravilhosas e outras tantas grandes que poderiam ser reduzidas a pequenas sem perderem a qualidade. Por outro lado, existem vários livros que são incríveis, perfeitos, justamente por causa de sua complexidade, de sua quantidade de páginas, livros de 700 páginas nos quais eu não mudaria uma única vírgula. O ponto aqui é que não se deve medir qualidade baseando-se na quantidade de páginas.

Eu acredito veementemente que quando se está lendo um livro, o que se procura é a qualidade e não a quantidade. Um livro bom é aquele que me traz momentos bons durante a leitura, independentemente de quanto tempo dure a leitura ou do tamanho do livro. Aliás, quando o livro é realmente bom, é até melhor que a leitura dure bastante!

Então, para mim, não faz sentido algum uma pessoa perguntar “Pra que eu vou ler um livro tão grande?”. A resposta é óbvia.

Sabe, hoje em dia me parece que as pessoas (aqueles que se auto intitulam bookaholics) estão mais competindo para ver quem lê a maior quantidade de livros do que para ler, propriamente dito. A leitura virou uma competição e não mais um lazer.

Esses dias eu terminei de ler o tal “A Guerra dos Tronos” e achei uma leitura maravilhosa. A história valeu cada uma de suas 592 páginas. Eu não mudaria nada do livro e, assim que eu puder, irei relê-lo. Por outro lado, eu li “A Garota do Outro Lado da Rua” que é muito bom e tem apenas 115 sem perder um traço de sua história. É até um pecado julgar qualquer um desses dois livros pelos seus números de páginas.

E isso me lembra de um vídeo que eu vi esses dias (http://bit.ly/PNDdou). Eu concordo em gênero, número e grau com cada uma das palavras ditas pela Larissa Siriani. Afinal, por que você lê? É para acabar logo com o livro? É para pagar de cult? É para aumentar a lista de “lidos” no Skoob? Ou é para ter bons momentos? Para viajar e se entregar a história? Para se divertir, ou melhor, para sentir?

Eu acho que o mais importante, como dito no vídeo, é ler por prazer e jamais por obrigação. Então, se você acha mais prazeroso ler livros pequenos, ótimo! Mas não julgue a qualidade dos outros por causa disso.

Resumindo, grande ou pequeno, cada livro é um livro e exige uma determinada leitura particular ao seu respectivo estilo. Existem livros mais fluidos, outros mais difíceis, alguns mais subjetivos, outros mais objetivos; mas a qualidade de cada um deles vai depender de vários fatores juntos e não do número de páginas.

E você? Por que lê?

Um comentário:

  1. Nossa, que texto bom! Realmente, é triste ouvir uma pessoa falando que o livro é muito grande e etc... Mas acho que algo que incomoda ainda mais é essa competição hoje em dia de quem lê mais, quem tem mais livros em casa... O verdadeiro sentido da leitura está se perdendo porque as pessoas tornam isso uma competição. Ah, e eu leio porque cada livro me leva a um universo diferente e sempre marcam minha vida porque tenho sensações e comportamentos diferentes de acordo com o livro que estou lendo, haha.

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